quarta-feira, 18 de abril de 2012
Inverno adentra Outono
O sol que há em você nunca mais brilhou, não me esqueço quando me veio no começo de outubro com aquela aparência desgastada e um vestido preto acinzentado.
Sabemos juntos, nós dois, que poucas são as pessoas de muita sensibilidade e toque leve para cultivar uma flor. Juntamente a esse saber, temos plena convicção que mais pouquíssimas são as pessoas que realmente conseguem algum dia sentir o aroma, de uma flor.
Meu amor, acontece no fundo de todas as coisas que não há vencedores ou perdedores, e sim, feridos. No fim das contas.
Não sabemos quando e como se dá o fim das contas. Para essa circunstancia, o tempo e seus subgrupos são inválidos.
Para nós, feridos, independente da invalidez do tempo para qualquer circunstancia, ele se faz o mesmo?
A resposta para esse questionamento não exige sagacidade ou ter caminhado estradas e mais estradas da vida.
O coração melhor que ninguém sabe a resposta.
...
O amor que escorre pelos olhos é derramado nos solos inférteis da solidão.
São sementes que não germinam.
Olhos alheios com cores nunca vista, te rodeiam apreensivos sem nada fazer, porque não há.
Muitas sementes são desperdiçadas em solos cada vez mais inférteis.
Então, você ergue a sua cabeça, olha ainda desaguando para o norte.
A partida te rapta, engole.
Andando por solos inférteis, entre ventos que sopram outras sementes de todas as direções, você decide partir de si.
E parte.
Porta-retrato do mar
sábado, 31 de março de 2012
Da cor de cobre
Cobre a lua, nuvem cinza vermelha carregada d’agua.
sorrisos esbranquiamarelos soltos sem agulha para calar.
o caminho já conhecido percorrido pelos amores de quase meia noite, cantam músicas já cantadas.
Cobre o sorriso da lua, a cor.
Uma quase tristeza, o sorriso cor de cobre.
Também o amor, que escorre as vezes pelos olhos e mãos, cobre a cor.
A cor do amor.
Mas o sorriso cobre da lua, não cobre a saudade que fica.
Que as vezes parte.
E quase sempre fica.
Por mais desmerecedora de tal sentimento, fica.
E parte os pedaços. Soltos.
A saudade dentro do peito queima, o vazio que a falta cava.
Um dia hei de ser um terreno fértil. Para que qualquer tipo de sentimento possa ser cultivado.
Qualquer um mesmo.
Assim, nem o cobre da lua, nem a falta que você me faz, há de deixar novamente infértil.
Esse terreno frio e vazio que hoje sou; Que a lua esconde com sua cor de cobre.
Porta, retrato do mar.
domingo, 25 de março de 2012
Do terminal ao presente
É que por você tenho um amor que é maior que eu ou tudo que sinto.
Há tempos te guardo entre meus glóbulos vermelhos e batidas disritmadas do coração.
Antes em ti, o passado se fazia presente de uma forma abusiva e degradante. Em mim, fiz deste, uma anormal apatia ao tal.
Hoje, o passado que ainda se faz presente, reflete num amanha futuro mais seguro, e coberto sobre cirandas de amor.
Olhos e olhares, toques e beijos.
Quero-te por demais. Teu amor por mim que me engole a cada palavra tua, beijo teu, corpo nosso; Queimando um no outro... É o nosso amor, no maior dos maiores prazeres já tidos por nós.
É o reencontro de duas almas que nadavam perdidas por lugares impróprios, não permitidos... incertos.
Agora juntas, confundidas com raios solares quando dia, lunares quando noite.
Porta, retrato do mar.
(...) Sem algo ser .
Posso até me acostumar com essa remota solidão que novamente me acompanha.
Quero-te se quiseres ser meu; Meu amado, meu lar, meu planeta Vênus.
Existe uma roda que gira com a rotatividade do respirar, ás vezes a temo.
O tempo que nunca parou me joga na cara o que hoje não consegui ser.
Existe um templo do outro lado do rio aguçando a minha curiosa vontade suicida de me jogar no mar da vida. Aquele que despedaça ou glorifica alguém.
E quase todos os dias, acordo com medo de não ser o que no ontem foi plantado.
Medo de não ter conseguido, misturar-se a correnteza do mar.
Hoje, amo-te como a mim mesmo (...)
Consigo enxergar a essência do seu ser.
Mesmo em dias nublados, o sol continua a brilhar e
aquecer os corações que gelados se tornaram pelo sereno da noite.
A lua esconde-se com frequência, e ainda sinto calor quando deveria sentir frio.
(...)
Porta, retrato do mar.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
O segundo. O minuto. Um ou sete dias
A partir do momento em que o segundo se transformou em minuto, eu senti você se desconectando de mim.
A primeira escolha foi minha, a segunda sua.
Então as horas passam lentamente até que sete ou algum número próximo de dias complete.
De longe, sinto seu amor se esvaindo em lagrimas e ausência.
Saudades, decepções e expectativas; ou agora a falta delas.
É muito difícil para mim apostar tudo e tudo poder perder.
Quero ainda um pedaço enorme de ti na minha vida. Como também queres.
Acontece que já andas de pé; eu ainda estou em processo de queda de uma arvore que é muito alta.
Confesso que em ti encontrei a paz. Que és incrivelmente iluminado e inspirador.
Existe em mim um desejo louco de te devorar.
Amar-te com todas as forças e desaparecer contigo para o fundo do mar.
Existe também algo que me impede de te roubar de ti, do seu mundo..., ainda não consegui desvendar isso que me impede.
Quero-te bem; Bem te quero.
Noite e dia.
Afasto-me de ti para que melhor possas ficar.
Compreenda meu medo de perder tudo.
Um futuro melhor nos espera; juntos os separados.
Sendo um na mesma estrada ou dois em estradas separadas.
Não fui egoísta nem te magoei por querer; Talvez eu tenha sido medroso; Não sei.
Que a chuva caia e molhe nosso rosto, levando dele lágrimas de falta e tristeza.
Porta, retrato do mar.
sábado, 24 de dezembro de 2011
Quando Setembro Acordou
Meus olhos são portas que seguram todas as lagrimas de séculos vivendo na escuridão.
E meu amor que guardado para uma outra vida, escorre pelas portas que hoje decido abrir.
Olhos e ouvidos bem atentos para o querer da pele.
Não esperava que Setembro aparecesse novamente para me abraçar com seus signos e mãos.
Virgem.
Castanhos, são seus olhos que iluminam ao meu ser quando encontram os meus. Mais claros ficam pelo dia.
Neve, sua pele macia e com cheiro de águas do destino que afogam o meu orgulho.
Ainda temos muito para ver, pois estamos abrindo as fechaduras dos olhos que se privava de um amor qualquer, talvez prevendo esse.
Foram muitas as pedras, águas e ruas que passamos por essa semana, mas, o vento soprou nosso rosto e enxugou todo suor causado pelo desgaste e desencontros que a inveja alheia causava a nos ver.
Esse segredo que não poderia ser revelado a quase ninguém daquele mundo móvel que nos levava ao nosso ‘destino final’
Cobertor e luz apagada.
Luz das estrelas lá fora, não iluminavam quanto queríamos, estávamos no mundo cheio de estados e capitais que nos levava ao nosso ‘próprio mundo’.
É que no futuro aquele destino poderá não ser mais o nosso.
Alguém sempre se muda para outro planeta, não há como correr, pelo menos não quando é pra ser.
E vamos viver enquanto há vida.
Porque se hoje somos gotas de chuva que caem em algum buraco seco, juntos poderemos nos transformar em mar.
Porta, retrato do mar.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Uma alma que carrega lágrimas
Ele morreu. O Fernando.
Provavelmente vai fumar mais um cigarro e ouvir mais uma vez coconut skins, pois é adepto da idéia de ‘mais um(a)’; mais um amor, mais um cigarro, mais uma vez...
Sua alma se foi com lagrimas guardadas que não se transformaram em chuva por conta do sol que lá fora fazia.
Todos para ele também morreram, todo e qualquer ângulo que você conseguir encaixar uma pessoa foi anulado, não houve enterro. Talvez porque ninguém o segurou na hora da partida e em seus olhos não olharam; Acho que não sabem nem a cor. Não importa mais, agora.
É claro que é dia de comemoração, há sol lá fora. Todas as almas egocêntricas e carentes vão atrás de ‘carne’ para preencher o seu infinito solitário; O buraco que cresce cada vez mais no meio da alma.
Mas, todos os quadros feitos pelo próprio não foram em vão, houve época que ele achava ter sido. Hoje compreende tudo perfeitamente, ou ao menos acredita compreender.
Falta pouco para sua chegada ao mar. Aquela alma sofredora e carregada de lagrimas das quais não conseguirá a sorte de não ter que levá-las para a eternidade.
..., juntando-se ao mar, algumas dores por instantes desaparecem, a condenação a eternidade é o seu maior fardo, Pois a dor mais colossal de todas há de permanecer;
A dor de ser uma alma carregada de lágrimas.
Porta, retrato do mar.
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