quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Imagens de satélite





Certo dia, estava Zé e Mamulengo De Cheiroso, dois homens com tuas sabedorias adquiridas pelas vivencias cotidianas e relatadas em esquinas, costumeiramente naquela cidade, aonde bares, como os do Senhor Questão, homem esse, bastante silencioso e pouco ativo na voz, que com minuciosa curiosidade de entender os fonemas pronunciados por outrem para melhor conseguir tocar sua primeira pessoa, atentava-se aos espelhamentos e o tempo-estrada percorrido para essa absorção. Encarregava-se de receber o dinheiro do consumo de seus clientes. Pouco sorria, agradecia de forma duvidosa e observava atentamente todas as anunciações feitas enquanto ocupava aquele lugar; dono do bar gerente caixa. Escondia de todos, um grande objeto, O Questão. Como já esperado, assuntos pertinentes a bundas sentadas em uma mesa de bar-esquina ou qualquer que seja outra, a localização, sendo assim-bar, por O Questão, emergiram primeiramente á questões mais liquidas, vindas de águas dos rios lamacentos que acabam, cedo ou tarde, chegando a existência dos pronomes presentes, as “banalidades” rotineiras dos mesmos.
- Aquele homem de ontem a noite, sentado hoje-agora na mesa próximo ao junkebox, me lambeu os seios enquanto tocava minhas virilhas e eu tinha vontade de chorar quando o suor dele exalava instinto de fome que devora pobres pessoas dependentes dela satisfeita para olhar o mundo com os pés firmes no chão, sabe, está passando a língua entre os lábios avermelhados carnudos dele, olhando para mim, me desejando a língua, todo o meu corpo lamber. Disse Tu a Ella.  A mesa vizinha, que de mulheres outras, aparentemente pudicas pelas falas de repressão e roupas menos curta que as mulheres quais estavam abismadas usavam, esperavam gananciosas homens com ar de riqueza, prováveis cacetas com liquido em cifrões, DNA do conforto para o resto da vida, disfarcadamente por “ mulheres para casar”, faziam caricatas fêmeas ofendidas na virgindade santa.
 - Acho que minha mulher está me traindo com um homem de maior tamanho de pau. Pensou alto, pronunciou-se oralmente após 5 doses de uma cachaça qualquer que Elle tomava para ser visto como integrante da interação no grupo de futuros engenheiros do ultimo período na universidade, grupo de cinco belos jovens rapazes em forma de desejo, aonde três desses escapavam  em dias específicos  do mês para realizar seu prazer anal com transexuais da cidade vizinha e satisfazer sua sexualidade tão monstruosa com a menor culpa possível, afinal, se está sendo penetrado por uma figura feminina,- desenho esse, o correto para o ser que ele por obrigação tem que seguir, não a pratica  de coito anal, mas, a imagem causadora de menos culpa,que anarquicamente se é escondida atrás de uma mascara-chave que possibilita o transito livre entre aqueles rapazes cinco, também outros- Fora enquadrado por: corno de piroca, pintinho amarelinho do Gugu, engenheiro da ferramenta pequena, pelos grandes pensadores homens que ali presente, justificavam-se um ao outro, como manequim social sem nenhum  talvez beber-saber, somente água de macho: Whisky.
Sorriam seus rios, debatiam-se internamente se arrebentando como mares violentos, que furiosos se acabam na areia já úmida, manhosa terra, deposito de sal. Assim sorria O Senhor Questão. Não perdia a esperança, muito menos a conversa, e levado a uma distração de dez segundos por uma garrafa de bebida com esverdeado liquido, proibida no Brasil, que ele não comercializava, porem ingeria usualmente enquanto trabalhava, simultaneamente atento ao dinheiro e anunciações, que caíra “misteriosamente” da terceira fileira de bebidas sem rotulo no reconfortante tapete indiano que mais parecia um amortecedor de objetos com possibilidade de fragmentar-se em cacos, o fizera abaixar para retorná-la ao seu local de alcance visual, e quando volteou o olhar para o salão, teus ouvidos captaram uma questão pertinente a lembrança do que guardara desde menino, aonde aprendera logo jovem a construir.
- O Carnaval se aproxima, hein, Zé? Você irá comparecer ao bloco Redes-truques? Perguntou o boneco-homem Mamulengo de Cheiroso, com tua cara oval pintada a cor da pele, aonde grandes bochechas eram preenchidas por vermelha-cor, boca exageradamente aberta que pouco se fechava para pronunciar qualquer palavra e grandes olhos, sobrancelhas, Iris, e um assinalado nariz esticado pintado também a cor que correspondia a pele do homem.
Zé, homem-sábio, contador de historia de toda sua vida, também de sua família nordestina que lutara desde a primeira geração para sustentar de pé o corpo, com sempre pouca comida na mesa, questionou ao Sábio-Mamulengo sobre o conhecimento dele dessa palavra: Carnaval.
Com a caricatura do sujeito que o segurava, o boneco respondeu simpaticamente, forma essa, qual sempre se apresenta em cena, o seguinte: - Carnaval é o estado de representação!!!
Havia nesse momento, uma conexão invisível somente captada pelo olho do satélite-acaso, que formava uma linha perfeitamente reta, entre o olhar-fala do Mamulengo e o olhar-resposta do Homem-zé. Formava-se ângulo de triangulo eqüilátero, o olhar lançado pelo Senhor Questão que simultaneamente direcionava à aqueles dois, à aquela pergunta, à aquela resposta, com águas lodosas que começavam emergindo desesperadamente como um animal que descobrindo a carne certa para saciar sua instintiva fome, sente prazer, Nele, enquanto o seu tão procurado eu sofria com o pesar de todos os rios que desaguavam de uma só vez exorcizando toda possibilidade de chegar a primeira pessoa, naquele espaço-mar recebedor de matéria. E não se formavam ondas, aquelas águas, que  calmos fluidos, causavam silencio total e virada de olhar, dadas costas a tudo, estabelecimento lotado, anunciações, ângulos de triângulos, a procurar objeto escondido, após a pergunta feita  por Zé ao Cheiroso.- Cheiroso, Carnaval, então, é isso que somos nós?
Chegando ao porão do bar, que também era sua residência, Elle, o Senhor Questão, encontra diversos e incontáveis materiais que servem para construir sua trabalhosa coleção de mascaras. As olha com profundidade, aonde somente peixes assustadores que habitam áreas de regiões abissais conseguem ter, aquele olhar sobre existir. As olha novamente, em silêncio, sem estrutura perceptiva, as olha mais uma vez, dessa, como se tudo justificasse um não-significado. São mascaras que representam grandes nomes femininos do cinema, homens honrosos por seu sucesso musical, grandes literatos, filósofos, fetichistas assumidos, animais dominadores, plantas rasteiras, representações de elementos naturais e universais que foram uma por uma sendo estraçalhadas pela mesma tesoura que serviu a Elle para cortar linhas que sobravam quando costuradas características todas em seus devidos lugares estavam.
Os ruídos externos não chegavam ao espaço-estar Delle, e só o mesmo poderia ouvir a si. Ouviu todos os sons feitos por ele na vida em três únicos segundos como se tivesse sentido pela primeira vez, na ação de existir, as horas tomando-lhe a vida. Tudo estava fora do lugar que havia estabelecido como O lugar das coisas, e só via água, de diversas cores, águas, com diferentes bichos, águas.
Acalmou-se lentamente, também os líquidos assim fizeram. Fora até o bar aonde tinha fios de lembranças sobre o que era aquilo, e só lembrava d’àgua verde, d’àgua verde, d’àgua verde que estava na terceira prateleira bem na visão dos olhos se virasse as costas por poucos segundos ao caixa, e a pegou – a bebeu como se sua garganta fosse paredes de tijolos que faziam uma estrutura circular de algo cavado, um poço artesanal, que subiam esses tijolos com esse formato até a superfície que criaria espaço suficiente para abundante água abastecer a grande seca que inevitavelmente chegaria. Bebeu oitenta por cento daquele liquido que restava na garrafa sem nenhuma sensação ter, volteou-se de frente ao caixa com uma grossa voz que te chamava educada já repetida para poder pagar a conta. Recebido dinheiro, elogios feitos ao serviço, a estrutura e a música que permeava o ambiente, Elle sorriu um riso duvidoso. De que Elle, era o agradecido pela presença daquela pessoa em seu estabelecimento. As lembranças das mascaras se apagavam, assim como o esforço de lembrar no final da noite, o sonho vivido na posição anterior da lua. A medida que seu corpo digeria gota a gota d’àgua que fora engolida e a percepção de que somente um satélite captaria Aquela-Imagem em sua forma primeira, chegava-lhe como algo alcançável. Decidiu, após a presença do pensamento parecer-lhe real, ligar para Nasa e informar-se dos procedimentos exigidos para ser integrante e trabalhar no monitoramento de satélites que observam a freqüência dos raios solares no planeta terra e os níveis de calor que o ser humano e a natureza vem sofrendo durante o período de existência.



Autor: Porta-retrato do mar.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

No silêncio dos olhos




Você inteiro silêncio: teu corpo linguagem vestida desconhecem minhas mãos língua e suor teu pensamento. Sempre distante. Veio outro, aparição ao olhar em curso disperso em dia qualquer sem espera alguma fora apreendido pelo já tateado, a distância aos leves passos vindo sereno, me parecia o conhecido que havia tocado muito pouco e perto aproximando-se notou a visão: outro.
Não identificado. Esse me puxou o queixo com frias mãos, o clima serenava ao redor nosso. Olhos de pedra: cristais castanhos rochosos dilatados não se estranhavam, mesmo você outro: sério em ausência de som na quietude em frente a mim. Colunas de concreto acinzentadas dimensionando a mostrar distâncias existentes entre riscos de baunilha no céu anoitecendo dormindo o sol para conosco deixar escuridão que resistia firme grossa concreta na ausência da lua que nascia vagarosamente não aparecendo ainda e o chão áspero que pisávamos, começavam iluminando, lamparinas da cidade, amarelas luzes o banco aonde ocupávamos em misterioso desejo: quereres. Alinhado olhar de pupilas alargando-se mais. E o tempo caindo. O gelado da tua mão me começou achegando o rosto ao teu, aproximados lábios que devorar queriam, mantinha embaraçado corpo presente que a ti direcionava olhar de perto agora. Observava facetas minhas, tu, sorrindo em calmaria, se desenhavam horizontes estreitos de difícil alcance em seus olhos que se reduzindo pela brasa do ancestral indígena que também tragava o fumo eram as janelas do templo teu que engoliam lentamente meu olhar. Camada de sal sentida por tua mão, –ti– ,Você conhecendo meu corpo com olfativo mistério para com os dedos cruzar alguns caminhos que não havia ainda, –ti– ,caminhado, Você silencioso ainda, parecia para sempre assim, olhando ora como esse outro ora como já conhecido ora como um estranho de si, –ti–, Você Flôr sem raiz alguma e não conseguia te tocar inteiro a semente do pensamento. Quês querências e afeiçoamentos passeavam interrogativos meu hálito em tua pele também minhas mãos procurando suspiros do terreno incerto teu e movimentos ágeis à língua na boca minha respondendo a tua que nada em ti é eterno.
Uivarei, pois lobo sou. E em teu silêncio bebo. Me alimento do enigma que se tornam meus olhos vendo-te, assim sendo: são nossos olhos as existências que se absorvem –os meus assim vagarosamente caindo no precipício abismo coisa bruma desconhecida tornando-se. Teus: Seus. Pertencentes a esse alimento oculto aos olhos da razão– é sentir-se perder-se – é não compreender– .
Para só assim: Poder beijar-te o pensamento.

                                                             
Porta-retrato do mar,


                                               

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O relógio



De chegar a ser: A forma.
Errada à inadequação ao medo do nada.
Fixo-ser-se, repete-se replica-se o mesmo: não responde a correnteza.
Pelo rio, passaram-ão os pés.
Ciência tem o corpo inteiro da Não.
Mudança-chegada a alguma parte:
D’água correndo.
                         D’vento escapando.
                                                       D’terra moldando.
                                                                                  D’fogo clareando.
Paralisado corpo:
Não-sendo.
Preso em si.
Nas horas.


Porta-retrato do mar

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Versos costurados de desterro a Mariana



Mariana, nunca mais me beijou.

Gostaria de te contar sobre sonhos medrosos lamacentos enevoados.
Me ajoelho aos insensíveis em ternura que a mim desejo, busco compreensão.
Acendo vela, queimo assim tempo a eles.
E não me deixa de beijar nunca mais, Mariana.

Desejas tanto assim, Mariana
Não me beijar nunca mais?
E o que sentistes quando encaminhou felina tua língua molhada naquela manha qualquer de mascaras para dentro da minha boca?
Vamos atirar um limão n’água juntos, Mariana, te imploro por esse vasto mundo.
Não te lembras nossa estrada, a caminhar pés experientes subidas ladeiras interior sobre o sol rachante, acompanhados em lírica por Carlos gauche?

Meus olhos reféns apenas tiveram a liberdade de ver o que entre as pernas há, de uma outra. Animal mentirosa de si, farsa. A empurrei no poço da memória pela fidelidade a ti.
Nada em relevo marcava aquele grosso pedaço de pano desbotado.
Quanto aos homens amantes, é o que há de mais selvagem na natureza interna da epiderme que uso, corre desejo vermelho por todo meu corpo a esse animal, carne masculina, não me obrigarás jamais a exorcizar esse gozo.

Procurei em desespero por tanto tempo sujeitos que desejassem possuir tua semelhança própria confundida no espelho, pura solidão. 
Abandono em águas escuras, a vista desse pensar.

Uma capelinha de melão ao lado de Narciso e uns quadros de Bacco acompanhados de flores tóxicas, vinhos, cigarros em consumo e algumas pedras místicas amontoados em um artificial campo de areia que nômade veio ao meu quarto trazida ainda pura para a construção no cercado pelas mãos de onde o mar arrebenta me traz acalanto.
E depois que as palavras na carta, turvas ficaram, não pude mais saber sobre tua língua em resposta.

Admito: Amado foi o rapaz de tecido recortado saia que cobria a escultura que desejam entradas de todos os que se alimentam de prazer fálico.
Me custou muito pouco, disse sobre homem cheiroso que sou, esse cheiro seu. Sobrevivendo em minha pele, somos nós, também poderia custiar barato ou nada pelos serviços a favor do teu aroma, ó Jasmin, minha de manha Flôr de laranjeira.


Comecei a amá-lo, Mariana.
Cego eu, já caia você, no esquecimento.
Escapastes turva, e as palavras, e eu não enxergava, e o desejo o amou.
Meu corpo gritava dependência daquele homem.
Passara a procura-lo em cantos dos mais perigosos. 
Felino de rua, esquinas escuras passeavam os pés sabidos.
Não te revelo o nome, é o meu segredo.

Arranquei casca da ferida dos meus lábios que se reconstituía pele, absorvida  pelos dele.
O que poderias entender você furiosa, um crime a espera da resposta da tua língua que cedeu minha boca ao desejo da carne que me devorava inteiro corpo aquele homem?
Porque os queria lisos a procura da tua boca. Ainda te queria.
E o teu sexo que nunca provei.

Não me deixe com sede, Mariana.


Porta-retrato do mar.

sábado, 8 de novembro de 2014

Us em exercício.




É:
sobre um Sorriso.

Foi visto após os pés descalços de somente meias que atravessaram quase atrasados a porta nem tanto velha para a idade do espaço, quem sabe se reformada, talvez explicasse ela como porta o existir do se- para então, velho o local com estandarte azul grafado em torre branca acinzentada, o tempo assim a deixou, formula-se crescendo como um rio, o conjunto.
Foram plurais, para ser mais preciso: o.s riso.s visto.s.

Soul-rio, expressou-se assim, pareceu com gosto e um meio desgosto disfarçado em gosto sobre algumas vozes pouco interessadas em descobrir a:
Escrever-se-iam parágrafos solitários sob palavras orgulhosas sobre:
Um corpo cai. Dois corpos caem. Três corpos caem. (...)
Em páginas já rabiscadas com caprichos dos movimentos daquele que não pode ser revelado. 

Peixes de todas as espécies queriam comer.
Quereriam comer a noção em informe?
Horas?
São precisas para canudo com, beber água da profissão no trânsito das representações: As mascaras que vão colocar quando adultos ou nem, exigidas pelo fluxo em rotação: Sociedade, ou o que denominamos de: Sociedade?

Não te congeles na porta, a voz parada não me disse sobre: o resto, ele o há?
[...]
Então adentrou e viu uma voz em alma sorrindo que parecia um rio?
Olha, sim.
Saberás descrever um sorriso rio crescendo em ti, quando o ver?
Olha, não.
[...]

Procura-te naquele momento a lembrança do resto, ele o houve?
Listas.
Estradas horizontais: desenhos de rios vermelhos, talvez amarelos: vermelhos e amarelos: contornos cinza, não parecia o tempo ter sido o causador do que a torre foi, traços muito jovens.

Alcançastes o.s.o.rri.[...s].o.s.?
Não.
Não.
Não: possibilidades de fixar Um rio. O rio. Aquele rio. Nenhum rio.
Rio-se-é.

Porta-retrato do mar

quarta-feira, 30 de julho de 2014

A-social.



E Eu, eu, eu ... Oooooooh
[...]

Ecoa em mim, esta voz: “ O que você quer fazer?” ao captar àquele homem dos olhos sérios demais.  As tardes de quarta-feira costumam ser exclusivas ao tédio, em sua essência.
Não houve ponto de partida, proliferou-se tão rapidamente que eu me vira possuída pela multiplicação que arrebentara o medidor de velocidade da criação, em meu corpo, aquela fala que acabara se tornando sussurrante, e olhava o zíper, todo o meu corpo , a esperar o convite àqueles objetos que se escondem por trás dos panos.
Trato aquilo da forma que meu corpo clama- e ele pede objetos.

Costumava meu corpo sentir vontade de expelir merda enquanto andava de ônibus, e um dia desses qualquer, que nem me lembro, descobri o por que. Tem a ver com as pessoas e a sua falsa limpeza, pudor, os olhos que lêem a mim pelo espelho da construção do ser ideal, seus objetos adequadamente alinhados ao corpo. Meu individuo atravessa toda essa convenção.

Tenho certeza que ele é pedreiro, cochichou meus dedos ao umbigo e continuava a fofoca descendo quente-quase-molhada para esquentar minhas coxas sobre o avistado.

Reprimi a merda, talvez tivesse que usar a entrada por onde se evacuaria os seres humanos mastigados e digeridos pela tolerância, acreditando ainda que a consideração de tê-la deixado na porta era bem mais próxima do real. O pau dele deveria entrar em contato com os seres que lida diariamente sem ter muita noção. Me parecia muito inocente e bobo, apesar de achar que o pau deve mesmo sair melado de merda- não quis arriscar essa liberdade que levei meses para construir com os cobradores do Circular Cidade, ele poderia ser religioso demais para entender a complexidade de um pau melado de merda e a sua relação com os homens-sociais, e seguia com a certeza que iria me possuir ou pelo menos acreditar nisso- as mulheres são especialistas nesse fazer, isso; fazer os homens acreditarem que são os grandes possuidores de tudo. Afinal- O homem adora exercer poder sobre o outro, e não importa por qual instrumento- O buraco do cú é singular comum aos dois sexos- E não importa ser cú de mulher ou cú de homem, trata-se de que comer um cú é pratica que domina, enquanto dar relaciona-se diretamente com submissão, pobre são os homens-assim.

Eu estava armada, sem sutiã, gostaria  em todos os meus momentos de caça, que os bicos dos meus seios ficassem molhados como se encontra a minha boceta.
Apontando estavam, os bicos, para a presa. Oscilante, pensei: “ quando me aproximar como uma onça faz, em teus passos leves e sintonizados a boca ao alimento e os meus faróis roubarem-lhe a visão dos olhos, empedrarar-se, esse homem, ao imaginar teus lábios carnudos em meus bicos fartos”

Fui.

Encostei felina em teus braços, olhei faminta tua face.
Sorri quase passivamente e meus olhos começaram um processo de mastigação daquela carne surrada.
Toquei suavemente teu rosto e murmurei: “Meu sexo te chama”
Sorriu, aquele homem, um riso inocente de quem não levanta o pau com facilidade, provavelmente a religião o adestrara psicologicamente.
Continuou apenas sorrindo, seu não movimento algum alem o do maxilar me excitaria mais ainda, e então notei seus pés; cheios de terra preta e depois as mãos; exposta uma grossa camada de lodo entre a pele e a unha, fizeram minha língua movimentar-se a umidificar os lábios, como uma sedenta de tudo aquilo e o movimento fizera então, levemente um volume emergir ao teu jeans desbotado.
Pouco cabelo cobria tua cabeça, provavelmente costumava passar a maquina. Para compensar essa subtração que havia na parte que foram construídas janelas, aspiradores e muitas vezes privada, animalescamente, coberto de pelo, teu corpo exalava cheiro de gente, do sovaco as virilhas, cheiro de gente viva, gente que se Fo-de, e era essa fúria que eu desejava que fosse despejada desde o começo, inteiramente em mim.
Sua camisa cinza toda esfolada espaçava  teu peitoral peloso da outra parte do pano, a não esfolada.  Constatei que ele trabalhava arduamente com as mãos, lembrei do lodo e as veias que eram tão grossas que poderiam ser introjetadas em qualquer entrada, frente ou verso, causaria ao espaço adentrado uma sensação enervadora que iria pedir cada vez mais e mais daquilo até ser preenchido conforme o desejo, crescia então , o pau, dentro da cueca, e era bem espesso-que bom, pensei- e por mais que essa vontade vulcânica de ser rasgada em pedaços me fizesse com que o adentramento acontecesse ali mesmo, no ônibus em movimento, com todas aquelas mascaras a nos olhar, que provavelmente fossem nos linchar do convívio social, esperei pacientemente todo sangue ser bombeado para aquele objeto até que ficasse inteiramente rígido.

Meus movimentos não foram discretos e facilmente passiveis de leituras diversas, daquelas que aproveitavam a situação para se masturbar ao chegar em casa, alguns outros com olhos convidativos, lambiam também os lábios na tentativa de ser aquele,dele, o pau a ser colocado em minha mão aos socialmente retangulares, como: Promiscua!, ouvi uma senhora gritar, com olhar de ódio que carregava uma garota com marcas de 12 anos atravessados enquanto chupava divertidamente o seu pirulito cabeçudo. Começaram  a me enterrar, uma tentativa meramente inútil, as pessoas do ônibus, havia um garoto com seus prováveis 17 anos, marcando com as mãos, induzindo meus olhos ao convite do grosso que fazia relevo em tua calça- estava em ponto de bala- pronto para atirar tudo em mim, o pau do garoto, os olhares do ônibus. Passara a ficar constrangido, o pequeno garoto com os tiros direcionados a ele, e seu pau murchou.

Egipciamente cantei aos ouvidos dele: “ Assalta-me o prazer. Há um oceano querendo afundar a tua garganta. Rouba-me esse momento. Quero gozar em você”

Porque é disso que gosto, do cheiro de gente, quero toda margem em cima de mim.
Pedreiros, cozinheiros, mecânicos, entregadores de cartas, garis, padeiros, marceneiros, mendigos, hippies, puxadores, skatistas, grafiteiros,camelôs, ...
Porquê todas as partes do meu corpo são órgãos sexuais e cegas para tua raça, teu físico, teu espírito.

Não sorrio o homem, seus olhos continuavam sérios, também seu pau, duro.
Portas abertas, pernas a caminhar, nenhum olhar para traz,
Desce, ele, naquele ponto.
Era muito deserto e ele começara a se benzer.

Águas escorriam pelas minhas pernas,
E ali mesmo, gozei.


Porta-retrato do mar.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Lápide




Fora-se Terceiramente.
Conjugou em tempo os olhos no imperativo. 
Dos degraus repetidas vezes descidos,
negava. Queria transformar em eternidade o negar dos olhos a lacrimejar sem chover, 
em teu corpo,
o temporal, 
colecionando nuvens que faria, mais tarde, teus olhos em carne viva.

Ninguém deu importância a morte das flores egípcias, 
Trinta e Nove não havia, naquela semana, enviado escrito algum sobre tua distancia do mundo, nenhuma resposta sobre A Esperança  e o falecimento da Gerbera.
Não pensava em Rubens, o sexo de Trinta e Nove já não era tocável a mente criar estranhas sensações a pele.
Sentia-e-sentia-Sentia-se livremente desesperado.
Não sabia- não sabia- Não conseguia saber de nada.

Contia na beira dos olhos, o peso do inverno mais seco que vivenciara. 
Na profundidade do terreno, aonde água não conseguira chegar e no gosto de todas as mortes engolidas pelo temporal, das vitimas à Rubens-Roberto-Trinta e Nove à formação do zigoto ancestral na cadeia evoluída da geração.
[...]

Riscou-lhe a mente, um pensamento-desejo de subir todos esses anos pelos degraus e matar o bichano, arrancar-lhe todo carinho dedicado-atirar os ovos nas replicas baratas das obras de arte-cortar a raiz de todas as plantas que traziam uma falsa paz-retirar com  garfo, atravessando a estrutura física, os peixes já ha tempos mortos, pela apatia e colocar em cada arranjo de flor-despejar álcool sem medida e queimar tudo, ver tudo queimar em rapidez tamanha que nem desejara perceber-enquanto fumava um cigarro-porque abandonara esse vicio em falsas virtudes caprichosas de Rubens-que fumava dois maços por dia:
-" Mas, eu posso, preciso para produzir, você não é artista,  só coleciona números- vive preso ao escritório da tua empresa aonde dedica mais de 8 anos especializando-se em uma subárea da matemática, formou-se em especialista e o mundo está cheio, de especialistas das ciências e das subciências, enquanto eu, ando atravessando todo esse tédio cientifico,  além do mais, você nem sabe fumar, provavelmente fez isso para meus amigos te acharem no minimo-interessante, um pequeno falso reflexo meu", dizia arrogantemente como se minha vida fosse banal.
[...]

E, talvez, por fim, enfiar a cara de Rubens na privada enquanto ele bebia-forcadamente água-para engolir o bichano com tripas expostas.

E, talvez, por fim, poderia-teus olhos desaguarem e mudar de estação-gota a gota.

Continuava reverso, ao maldito prédio Trinta e Nove em frente a um enterro.

E, talvez, por fim, jamais conseguirá chorar na vida, 
outra vez.


Porta-retrato do mar.