quarta-feira, 15 de junho de 2011

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Acorde querida, hoje não é fevereiro.
Quantos dias mais tenho que te repetir isso?
Acorde pra vida, tome conta do seu corpo antes que alguém o tome. E todos esses complexos triangulares vão apenas desaguar em si mesma, uma redundância imortal, coisa pra criança; não consegue perceber?
Por quanto tempo mais ira agüentar esse banho de magoas ?

Acorde, novamente digo, incansavelmente digo: - hoje não é fevereiro, estamos em junho e o passado fica em fevereiro e muito mais atrás em agosto.
Julho chega como o futuro mais incerto que as suas impotências emocionais e seu fracasso pessoal que te cerca em três ângulos diferentes.
Para você o alcançar é preferível que você desapegue, solte, fragmente e jogue o passado para agosto.
Deixe que a Gretta decida morrer da maneira que ela desejar.
Deságüe.
Rio isóscele não transborda, afunda no próprio esquecendo sua existência.
Folhas e flores; verdes, rosas,vermelhas, amor desabrochando enquanto rapidamente abro a porta e digo: -Acorde querida, é primavera, as flores chegaram e não queira queimar em dezembro, mês doze, pós futuro, não aquele que termina em novembro para um outro em dezembro;
Rio que não obedece a mudança da lua é invadido pela mão do homem, deixa de ser natural e vira Biopirataria.

Porta, retrato do mar.

sábado, 14 de maio de 2011

Radio na Cabeça



Fui obrigado a ser assim o mais rápido possível, como uma fruta que amadurece tanto ao ponto de apodrecer e não cair ou ser escolhida para degustação.
Apodreci.
Não sei se moro mais em mim.
Vivo com ausência do meu espírito. Meu corpo pintado com esses traços de virgem para esconder uma inconstância existencial libriana.
Eu sorri um pouco ao reencontrar uma pessoa do passado, fizemos cenas e brincamos de jogar palavras pro alto, ela não me é muito importante, no estado em que eu estava não sei se alguém conseguiria ser, para conseguir me arrancar um sorriso, porem ao ver aqueles olhos castanhos cor de mel a gritar saudades dos tempos em que ainda tínhamos esperanças de ser feliz e aqueles toques a me ler por completo em uma tentativa frustrada de achar-me dentro de mim, veio o abraço e eu sorri. Talvez ela tenha sido importante algum dia.
Nunca conseguiram ler algumas palavras bruscamente riscadas em meu corpo, elas não são tão expostas assim, talvez esse seja o motivo.
Pelos corpos que passei e pelos que por mim passaram; eles conseguiram ver nitidamente letra por letra-palavra por palavra, mas estavam mesmo afim de prazer, não desvendar um quebra-cabeça que faltava muitas peças e que nunca conseguiria ser montado nem pelo próprio de quem se riscou, não os culpo, brinquei de amor no silencio enquanto em voz alta nos parecia apenas mais uma de muitas outras madrugadas de prazer.
Queria muito tocar novamente a alma, aquela que nem sei se a mim pertence mais.
Sim, por um longo tempo eu a senti gritando desesperada sobre cada centímetro de algo vital que havia no meu corpo, era uma boa agonia pensava eu, achava isso um sadismo brilhante, pois gostava de me ver em fragmentos junto a ela, que até hoje eternamente sofre por ausência de vida.


Lúcio California

domingo, 1 de maio de 2011

Sobre um dia de Segunda-feira.

Era azul misturado com branco.
Nós poderíamos pensar ter sentido o céu nos invadindo como se fossemos pedaços que lhe faltava, e éramos.
Aqueles olhos felizes e confusos que conheci há décadas, no interior mais profundo da alma que até tu às vezes desconhece-te-de-si, me lembrava vagamente. Você os escondia de mim, nunca tive medo de perdê-los da memória guardada, e em algumas ocasiões jogadas ao vento, ao mar.
Aquele pequeno toque medroso, inseguro e instintivamente animal com vontade de me rasgar para se entregar loucamente ao desejo mais cruel e traidor da alma, escondido no fundo do eu morto, quase desconhecido, abandonado, talvez existente.
Um quarto grande para os amores escondidos, traições, sujeiras e por alguma significante diversão, aquela pura mesmo, sem intenções ou maldades.
Seus olhos...
Me disseram coisas que você não queria, e escondia em plena Minguante mudança do ser ou uma provável Crescente, nunca saberei.
Palavras desconhecidas, outro idioma e alguns retardantes de sono, só para não dormir e correr o risco de esquecer.
A lua foi postergada pelo café que tomávamos e cigarros fumados aleatoriamente. A primeira que nos veio foi aquela;
de voz rouca e grave. Logo após; alguém doce, simples e que nos acompanha pela noite, aquela que nos chama para acordar pela manha com a chuva, você sabe quem.
As estrelas era nossos olhos fugitivos, que também escondia alguns planetas que apareciam devido ao afastamento do Sol.
Chama-se Yellow, o botão que te dei, também é o nome da música que te escondi por alguns anos, não sei porque, talvez para nos poupar algum sofrimento ou sentimento de ... deixa pra lá. Aquela que falava do meu amor, por ti. Que existiu...ou existe, não sei.
Aqui novamente a falar sobre retardantes do sono, palavras desconhecidas, piadas velhas. E eu te pegando pelos olhos e você me pegando a te olhar.
Não consegues me olhar sem que eu não perceba, sempre percebo. Quanto a você, não sei ao certo, sempre fugindo, não sei ao certo, repito.
Não precisa se preocupar comigo, sei me cuidar. Já te disse, apenas começarei quando juntos começarmos ou juntos pormos um ponto final. Ou mesmo, em alguma hipótese deixarmos de lado, às vezes é uma saída quase justa de ser analisada.
Tanto faz e Em fim, nome das estradas por onde caminhas. Esse eterno jogo de... de amor de bolso, de dedos, de carência, de verdade, de ilusão, de algo que talvez não saibamos ao certo o que.
Aquela velha imagem para os alheios que acham saber de algo, deixarei-os achando.
Não me importo com esse tipo de coisa, de achar algo em alguma coisa que blá blá blá blá.
O que é Felicidade pra você?
Sempre te fiz esta pergunta repetidas vezes. Quando a vi no filme, me tocou forte, pois nunca havia feito-a pra mim.
Eterna felicidade é aquela que quando ao encontrar o fim do arco-íris possamos desfrutar do que nele tem, O pote de ouro. È uma felicidade que sabemos ser concreta, é o eterno amor misturado em dois corações destinados a ser um. Uma suposta resposta.
Quanto a nossa felicidade, ela vai andando por ai. Sem pernas. Apenas com o soprar do vento, por enquanto separadas.
Quem sabe um dia encontremos o caminho para o fim do arco-íris!
Juntos ou não, quero sempre te ver a sorrir.
Assim como os olhos que hoje vi. Aqueles distantes de mim há tempos.
Flores, borboletas e beija-flores trazem consigo a primavera.
Cafés, cigarros, filmes e acerolas nos trazem algumas felicidades que são instantâneas,e as vezes nos faz seguir em frente.
Então que assim seja; Em frente.
Como os ventos que vão...
E se perdem.
Ninguém nunca soube se eles se encontraram em algum lugar, e ninguém nunca saberá.


Lúcio California

domingo, 10 de abril de 2011

Previsão do tempo




Esses seus olhos parecem Oceanos com navios em guerra, uma quase Maré em crise,
Um Rio que não deságua, que apodrece como Maré, não como Rio, porque o Rio já tem uma outra função alem do Oceano e muito mais além Do Nosso Mar.
E por mais que a Lua Mude e na maioria das vezes Se Mude, o vazio de Ser Mar permanece, não sei se como Maré ou como oceano esse tal continue, mas, sendo como Mar sim.
Seu ar de rei do amor não me convence, e é por isso não acontecer que me faço agora um Rio, com águas que deságuam, não no seu Mar, ele não existe, sim em outros Oceanos mais profundos que mares de Netuno.
Você esta acostumado a roubar todos os corações que vê pela frente com suas meias palavras... águas sujas, mascaras e cantos de sereias eternamente apaixonadas.
Vento que as vezes balança você, Mar Morto.

Porque tens medo de mim sweet hart?
Não te faria mal, apenas te daria o meu amor
NÃO é isso que queres de mim?
Então, você se afasta novamente desse Rio que me fiz, que agora deseja desaguar em você. Com medo; você foge.
Talvez agora que encontraste um espelho...
Onde possa temer a si mesmo.
Seja esse o medo de você; Maré Mar. Sobre mim; Rio.
Junte-se a mim;
Nada de mal te acontecera, não deixaria.
...deite nos meus braços,
Sinta-me perfume, escuridão e amor, sinta-me fogo, vertigem e vingança... o meu toque.
Agora misturados Rio e Maré Mar com esse balanço de ninar, quem somos nós?

Previsão do tempo: com A Mudança Da Lua
Tempestades, trovoes, náufragos e desilusões irão acontecer no Oceano-Mar-Rio-Maré
Há pouco; mortos, parados, inexistentes.


Lúcio California

segunda-feira, 21 de março de 2011

Longe.



Eu sinto muita saudade daquele tempo em que tomávamos banho na chuva sem se importar com nada, ninguém...
Daquele brilho que iluminava o meu mundo, que saia do seu sorriso... daquele silencio ensurdecedor e na maioria das vezes inspirador.
Sim, eu sinto muita saudade.
Eu preciso de um cigarro, pois me sinto muito só.
E nesse momento apenas ele consegue me entender, e digo mais, só ele conseguiria acompanhar essa minha imortal solidão.
Será minha, a culpa, da solidão?
Sim; respondo.
E você me responde; Não.
Que saudade daquele mar que costumávamos navegar.
De nós, eternos marinheiros de nós.
Do oceano finito, das estrelas tocáveis, de Vênus; nosso quarto.
Marte como sempre, quando lá estávamos, erra pura guerra.
Mas, acabávamos sendo puxados novamente para Netuno... e voltávamos a navegar.
To com frio, muito.
Aqui estou, fumando minha solidão interminável, e cadê você meu bem?
Será que tu mudaste pra terra?
Queria apenas te dizer que estou com saudades de nós;
De você, de mim, Nós.
Volte, quando puder.
Eu; Roma, te esperarei sempre em alguma lua de Júpiter.

Lúcio California

domingo, 20 de março de 2011

Cai a Tarde.



Sobre os meus olhos;
Eles não conseguiram se fechar desde quando encontrou os teus.
Grandes olhos, iluminados e astuciosos até.
Os meus; meio distantes, te diriam muitas coisas caso estivesses aqui.
Vamos começar sobre a tarde; eu nem percebi, mas ela se foi tão rápido.
Existiram pessoas que por ali passaram, mas, passaram também sem muita importância.
Algo mais passou: as horas, os minutos, os segundos.
Os ventos; fortes, fracos.
As lagrimas, as tristezas. Até que alguém se libertou de uma prisão quase perpetua desenhando em meu rosto um sorriso lunar com alguns pequenos toques minuciosos e intensos.
Não sei, mas, algo parecia mais belo que o comum.
O céu, as estrelas, a lua, as pessoas, a natureza, eu, você, nós:
Juntos, sorrindo, abraçando-se, construindo...
Já é tarde e meus olhos não conseguiram se fechar... talvez eu saiba porque!
Tempo, tempo, tempo... estamos caminhando.
Não ouse parar, nos parar.
Lentamente fecho meus olhos já cansados, novamente os abro.
Eu mesmo pinto meu rosto com a lembrança de que ali, naquele momento onde também pintaste o meu...
Ali, não sei se O Segundo.
Mas, algum sol nasceu naquele horizonte incerto.

Lúcio California


sábado, 19 de março de 2011

Minguante


Lua Branca
Meia Lua
Revele-me Seus segredos mais profundos antes que as nuvens venham a te esconder de mim.
Me fale a verdade que não sei
Mostre-me seus olhos.
Tenho pressa, sinto frio...

Meia Lua
Me deixe refletir na tua misteriosa superfície antes que o Sol nasça e te roube de mim
E se algum dia tu fores roubada...morrerei.

Deixe-me saber o que são essas marcas no teu corpo iluminado
Não vai doer...não contarei a ninguém.
Me esconda, meia Lua
Pois o Sol que está a nascer pretende nos afastar
E ao nascer:
Nos queimara...
fará meus olhos chorarem de dor;
Inundando com suas lagrimas, as flores da primavera que estão prestes a desabrochar.
Partirá meu coração... me deixando sem esperanças de algum dia poder te ter novamente.
...De novamente ter O coração agora queimado pela verdade que você me escondeu...
Que o Sol me contou.


Lúcio California