terça-feira, 30 de junho de 2015

Cinzas, poeira e barro. ( Número Um )



Olhos à pele de vidro
O ponteiro de marca tempo
levado às costas de fogo dos segundos;
cansados, marcada de escuro a face
À Noite; Madrugada nua; invisível sexo
se apresentam Os Outros
às portas que o tempo envelhece.

E as palavras desatam
pontos frouxos, a costura; ao avesso a carne:
Geografia de memoria e sangue
figuram a vida
num palco sem cortinas:

Os mitos conversam em silêncio.







Autor: Porta- retrato do mar,

domingo, 14 de junho de 2015

No porto do mar






funda onda turva,
no começo do mar,
domesticada ,
carregada a vento aos oceanos esquecidos,
castigada ao fim de sua voz.

E quando na geografia das águas,
um estremecer eleva-se confiante a cor dos olhos,
disciplina dos pés hesitantes,
os sentidos incertos sob areia engenhosa;
estrada de enganoso percurso,
que não se sabe qual destino,  de qual porto, qual destino próximo,
àquela que vai te cobrindo a visão do corpo – de uma cor turva – como inicio e fim da imagem- duvidosa certeza de governo,
acompanhada à medo da espécie e um horizonte com seus olhos de oceano;
profundos e cheios de tempo,
aberto ao encontro de outras águas,
tudo a vista,
e o Medo com os mesmos olhos se costura epiderme a face tremula,
e se olham firmes,
desafiando-se. 
O termo assinado à liberdade 
chama a seguir.

Desatar do tempo silenciado dàs águas turvas
às horas passeadas aos portos da fome na pele
em mergulho raso nas coisas mesmas
que não ultrapassava o tecido dos olhos
começam-se os ponteiros
violentamente carregados de agora
perfurar o alcance da visão
e mover-se-a ação
Avante, avante mar.

e se movem as fronteiras enferrujadas
a desatar-se livres no horizonte
e se move o corpo domado
a se desobrigar da palavra.


Não se escapa em nenhum momento.
A pericia  estabelece palco
Não requer anuncio,
voz,
tecido ou passos
e a autopsia é indispensável à experiencia.

porta-retrato do mar

domingo, 24 de maio de 2015

Adiante do som








As ordens se anularam
e tomaram corpo
sons vindos do tempo.

Anterior se inicia
à sangue e ossos
à água e região
à palavra:


Dentro do espaço escuro
desconhecida habitação
espaço escuro do corpo nascem :


E se começam.

Pedaços de desejo desembrulhando a pele temperamental; cortês e insana e contorcida a matéria; lascívia , convoca carne vibrante,  contato do outro, à satisfação da volúpia, como repetidas epiléticas recaídas de um viciado em sua realidade chama à sorte a fronteira.

O corpo autônomo do controle da vida humana se apodrecendo à garganta seca e as correntes do gosto desaguando sem percurso, à qualquer deriva, ao outro, por desejos de olhos cegos que famintos se enrijecem à dor, e na força em habitar um só instante, se volteando à fora na execução, voltando-se a dois;  corpos alimentados.
Se abre o horizonte no olhar d’um n’outro a visão.

a mostra, nua
à pele
expostos sentidos e sensações
volúveis ao gozo

movidos à insistente fome
sexos alimentados
caçadores incansáveis
de sonhos, pele e sumo
vão se acabando
partes, água e tempo
sob o espectro
do inacabável desejo.

E se são em cortes fundos na carne
seus corpos de facas que se afiam
que se memoram agora
no pensamento atrás do desejo.

Porta- retrato do mar.















sábado, 16 de maio de 2015

Territórios de ar


- Hoje, eu vou pisar na terra.

Foi, então.

Me veio, o farol
- o sorriso que me abraçava, mesmo coberto desengano em à flores e cheiros à e melodia de muito longe, desafinado e belo fone, à outro, e os pequenos olhos, pequeninos tímidos, escondidos; doces, doces, quase caramelados; De lua cobre refletida em rio profundo; misterioso e de turva cor, e entre pétalas vermelhas ainda rosadas; convite à metáfora por onde entraria minha língua e boca e braços e eu-todo: inteiro, nesse você sem corpo, só natureza;

rio profundo que caiu no calor do sertão,
derramando-se sob outros braços e começos e chãos,
que me cercou tua água, desejo embriagado não ancorou
e bebia-te o resto de sal dos mares na face, que entre as geografias
cruzara mares tantos, águas tantas  até chegar aqui,
 e aqui me entregava a memória que registrava de ti e enquanto assim fazia, cegava-me
ao horizonte, horizonte qualquer.

- E-se, se seguro a palavra à boca que tanto saliva á tua presença, não importa se desconhecido; os desejos de quê? Se devoram.
Silenciosos e distantes:
próximos o suficiente do calor das mãos caçadoras e cheias de terra,
encontrando e se perdendo, se encontrando uma a outra; buscados novos territorios,  e só nos resta a força para sentir; desconhecidos territórios,  enquanto é-se, a força o que equilibra a consciência a não expurgar-se do corpo; territórios de ar, nada ao redor dos olhos, fechados abertos a nós, nada além, ei-los; ciclopes com janelas de vidro.

-Eu estive lá.
-Eu estou aqui.
-Eu estive lá.
-Eu estou aqui.

Um farol sóbrio no presente sem memória desaparece a medida que os ponteiros do relógio na torre a beira rio; violentos, severos e fugazes ,o faz esquecer da forma, suposto tempo solido no acaso, e que o frio logo vem, e as raízes precisam migrar as memórias a luz no sinaleiro
E um dia, o sentido se mostra geométrico, e sensível a se perder novamente na existência das horas.

Um dia ele cai a apaixonar-se,
enquanto as águas do rio,
mudam-se a outra parte.

Porta-retrato do mar.






terça-feira, 5 de maio de 2015

Terra I



Me abrigo no espelho, o invado, sou; ando ao teu olhar, e o que nos é limiar?
Fertilizado solo, conforto as costas caídas, corpo de areia que abraça desfeito
e os grãos te cheiram a pele e o suor e os pelos e por dentro da pele
respiram-te os ossos e alojam-se solitários nos músculos.

Deformado; irregular, triste.

Me perguntas, homens que és; do tipo teu, a beira dos meus olhos
tua boca curiosa, às palavras ausentes nas fronteiras nossas,
que nunca houveram de ter imagem, só desejo e corpo e fado
o porque do vidro delas, do nada delas e do nada em mim;
Eu, Rita assassina, envolvida a pele no verbo das coisas e silenciosa
a mente viva.
Vive Tu, a tua alma.

Beija, toca-me e engole com vigor os restos mortais e,
a cerne faminta de sede, à água; excremento, perda
perda, perda de calor, deseja a evaporação do corpo;
quedas, drástico liquido morto; inocente orvalho salino
violento, decidido, ávido: desejo do corpo meu.

E no âmago; veias secas e ossos desunidos
a mente não enciúma-se aos teus outros gozos e mascaras
que sorrisos com olhos, braços voluntários, noites de luar
necessitas tu, acorrentada criatura ao culto pulso de amar.

Lá, aonde outros falam por si mesmos; plasmas soltos
as gavetas são fundas
os corredores sem saída, a flora silenciosa,
o Minotauro, adormecido.
E as raízes meu homem triste, andam sob a terra.

Rita,

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Sílaba



O que sentia Donna ao atravessar esquinas da cidade aonde o espectro e seus lábios e olhos e pele a abraçara com força, sangrando as carnes que  coabitavam-se gritando a dor muda sem signo de ambas, ambos gritos sem código, sozinhos em seus corpos não lidos, engolida saliva áspera abaixo, linguagem vertiginosa, as pernas sempre frouxas e a boca, desenho fechado que as cordas carcomidas pelo acido, o que faltava, ainda saliva do corpo externo; restos de restos de lixo e animais mortos, passos desconhecidos e pneus; gargantas psicóticas, escuridões  e vultos, fundidos ao espectro, existência: que se fundia a água, modificando-a, engolida áspera aproximação; anexo:  lenta, lerda e tensionada,e moinhos que a madrugada; terreno incerto, molveidiça idéia de chão, se faziam observadores a busca de satisfação a seu paladar cruel e metafórico no asfalto que teus saltos; engenho, designer,recurso,que te empoderavam de efeito os olhos a enfrentar outros ,que desconhecidos olhos; guardavam finalidades de rios sangrentos, adulterados alimentos a verter o corpo a uma dobra, curva, tormento,a um obstáculo de si,a padecer lentamente ao prazer dissimulado alheio pela mortificação, e outros menos humanos; líricos e melancólicos, carentes corações; músculo do Amor, veias exterior ao corpo iluminadas pelos astros: mancas ,movendo-se sob a luz entre espinhos de flores murchas e uvas azedas, chorosas criaturas presas em pergaminhos mágicos , e tudo é chá, charutos e arpas e Amor, e uma boa noite de sono após o banho num rio de leite nalguma montanha enfeitiçada que Girassóis e Hortênsias e Tulipas cantam o Tempo  Amar.
No vento que cada criatura deixa; rastro, de alma passeante a procura calculada da satisfação do envelhecido papel que queima em casa, em terra, em alma, em espelho e céu e inferno criados, Donna sentia-se beijada pela solidão paralitica da mulher profunda, que notas de um samba choroso evocado pela boca andrógena de palavras foscas, pronunciava, e os sopros, o vento que há nas notas, a fazia fechar os olhos e aceitar companhia; a transmutação biológica do encontrado, a experiência, possesão e o Tango sangrento de corpos rígidos que dançam juntos  ferindo a carne suada uma na outra em sangue a deriva do palco, desenhando geometrias solitárias no passo perfeito da ilusão de univocidade, movimento aos olhos alheios que pouco te olham e também a Dama.
Ela e a noite: imagem portadora de único significado.
A passos lentos, felinos: orgânico  instinto natural da noite na rua, um espelho refletor do seu objeto que se busca, agora outro, ilusão sua tocada do macropensamento, ela liquido solido; geométrico, ingerível , não etéreo, é o Sim. E já não há diferença entre máscara e pele. Sim. Os olhos, obedientes a geografia, florecem qualquer cor. Sim. Eu não tenho sobrenome. Donna. Sim. Sou verbo; classe de palavra que se flexiona em pessoa, número, tempo, modo e voz. O que caracteriza o verbo são suas flexões e não seus possíveis significados, sou. Sim.
Donna entra no carro.


Porta-retrato do mar.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Olhos cegos



Medo em medo eles se perderam:
Os corpos, movediços, correspondências molhadas
embebidas a grafite de vento, escuras tardes e ânsias voluptuosas.
Experiência acariciada a flores, cantos e toques.
Muralhas, palavras separadas: Hiatos de pedra.
O que é o si mesmo das coisas?

E chuviscos voltearam-se, todos.
Engolidos pelos olhos,
solos quentes: secos de medo.

Sem sinônimos, água corrente evaporada
ao passar da luz no dia em sua velocidade,
as estradas acumularam sede
e morreram a flora, o cantador, o animal,
a casa.

Pratos sujos enforcados por si mesmos
abriram luz ao suicídio dos talheres
e já não havia luz. e não havia luz nem cor e
as putas já não dançavam.

Não haviam nomeado, o que, por fenômeno, exige vocábulo,
asserção.

Não havia já.

Tempo para a mudança do circo não restou.
o sossego acinzentou o céu e o resto e o tudo
e já não era primavera
e até o tempo pensou em morrer.
Acabaram-se palhaços, acrobatas, picadeiro e figurinos,
com sede.

E se perderam mesmo,

 nos parágrafos secos do tempo

que se faz memória:

- no terreno papel,
- palco do drama
- que restou
- deles mesmos.

Porta- retrato do mar.